Em que acredita quem não acredita na Justiça, Tarcísio?

O governador do Estado de Paulo, se é que se pode chamá-lo dessa maneira, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, entre tantas declarações esdrúxulas, na semana que passou conseguiu se superar ao comentar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que então teria início, ao afirmar que não acredita na Justiça.

Se um governador, eleito de maneira democrática, que se diz patriota, não acredita na Justiça de seu país, acredita que? A declaração é de uma infelicidade colossal, ainda mais quando ele serve como referência para muitos cidadãos e cidadãs e tem em mãos um contingente de pessoas que atuam como policiais militares, que em números, perde apenas para o exército do país.

A declaração além de estapafúrdia pode provocar milhares de pessoas a não obedecerem às ordens de autoridades se elas pensarem que não concordam com possível sentença e a maneira como isso pode impactar em suas vidas. E novamente vem a questão: quem não acredita na Justiça do próprio país acredita em que?

Independentemente das crenças de Tarcísio, a irresponsabilidade de suas declarações é algo que destoa completamente de uma pessoa que se diz líder e que comanda o estado mais populoso da nação, a troco de apoio político, a qualquer custo, de pessoas que estão reféns de Bolsonaro, que tudo indica, além de estar inelegível por oito anos, ainda deve ter uma condenação sobre os ombros.

O governador de São Paulo, ou melhor, o desgovernador, após suas declarações, ainda partiu para Brasília para promover uma possível anistia que a lei deixa muito clara que não é possível pois é inconstitucional. Quem diz isso não sou eu ou algum ministro, isso está colocado em nossa constituição, de 1988, a primeira que teve, mesmo de maneira indireta, a participação popular.

O chefe do poder executivo paulista, ao invés de trabalhar em prol da população que o elegeu, prefere abrir mão de suas atividades para fazer campanha panfletária/partidária para uma pessoa que também afrontou o próprio povo e desrespeitou por completo as leis de nosso país. E sempre importante lembrar, que quando aparece em público, Tarcísio sempre acusa seus possíveis adversários de estar em campanha, como se ele não estivesse.

E com esse comportamento, o desgoverno paulista busca galgar posições para concorrer ao pleito do próximo ano, enquanto o estado para o qual foi eleito para governar, segue à deriva e com muitos problemas.

Um dos problemas está em relação à educação. Atualmente, muitas escolas estaduais apresentam problemas em suas estruturas. As salas de aula não são climatizadas, falta banheiro para alunos, para professores, excesso de plataformas digitais que apenas cansam e desestimulam ainda mais os estudantes, mas retorna em lucro para os amigos Tarcísio. Novamente não sou eu quem diz, mas fatos, que, infelizmente, boa parte de denominada grande imprensa fingi não ver.

Outros problemas flagrantes são as alterações no sistema de transporte sobre trilhos que compromete a rotina de milhares de trabalhadores e trabalhadoras. Sucateamento do serviço prestado pelo estado para que ocorra uma privatização que irá gerar lucros aos acionistas e trazer ainda mais transtornos àqueles que dependem da prestação desse serviço.  

E acredito ser importante lembrar sobre a privatização da Sabesp, a empresa de saneamento que atende a maior parte dos municípios paulistas. Muitas pessoas que dependem deste serviço essencial têm apresentado muitas queixas devido a qualidade do produto final entregue e, também, sobre aumento nas tarifas.

Esses são pequenos apontamentos dos problemas que vivenciamos em nosso estado e que não tem solução em curto prazo. Primeiro pela ineficiência de um dos piores governos, ou desgovernos, da história paulista e segundo pela arrogância e compromisso com pautas inconstitucionais em defesa de uma pseudofamília que apenas fez mal para nosso país.

Tarcísio têm muitas questões para responder e dizer em que acredita, pois a Justiça foi vilipendiada por ele. Se há um espaço vazio e todo espaço será preenchido, quem ou o que tem ocupado a mente desse ser que não apresenta pudor em se demonstrar golpista em pleno processo de criminalização dessa prática? Será necessário gritar “pega Xandão?”  


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