Ano novo e velha política partidária
O ano, de acordo com o calendário gregoriano, mudou e estamos em 2025. Mas aparentemente foi a única situação de mudança, pois em relação à velha prática da política partidária, ao menos no primeiro de janeiro, não foi possível notar qualquer diferença.
Há um antigo ditado que diz: “falar, até papagaio fala”. Muita gente pratica discursos inflamados durante a campanha eleitoral, promete o que pode e o que não pode na tentativa de angariar votos, mas quando o “jogo” começa para valer, o que vemos são os leões se transformarem em gatinhos.
Em todos os mais de 5 mil municípios brasileiros ocorreram as cerimônias de posse de vereadores, vices e prefeitos, no primeiro dia do ano. Algumas cerimônias destacam-se mais do que outras devido aos interesses de cada pessoa em determinados processos.
Mas, de maneira geral, vimos que alguns discursos arrefeceram e muita gente que ganhou votos por representar uma possível mudança, mesmo que inócua, demonstrou na primeira votação do ano de que está cooptado pelo “sistema” e a independência de seus mandatos está comprometida.
Em nenhuma situação da vida há jantar grátis, muito menos na política partidária, principalmente quando alguém com cargo eletivo e com experiência, pouco, ou nada, se importa com os interesses da população, mas preocupa-se somente com seus ignóbeis projetos políticos.
A cada dois anos nós brasileiros comparecemos às urnas. Assim como cada virada de ano, novas esperanças são criadas por grande parte das pessoas, mas sempre são frustradas logo após as primeiras atitudes dos novos eleitos.
Muito se fala de maior participação de jovens e mulheres na política partidária. Felizmente isso tem melhorado a cada novo sufrágio, mas as atitudes dos que chegam por meio de voto popular a uma cadeira, deixa tão, ou mais, a desejar, do que o comportamento daqueles que denominamos “velhas raposas”.
O primeiro de janeiro de 2025 causou a impressão de que se realmente quisermos alguma mudança em nossa sociedade, precisamos de pessoas realmente preparadas para assumirem seus cargos e que coloquem as necessidades da população, principalmente a mais carente, como prioridade.
A política partidária ainda é uma importante ferramenta para disputa de poder dentro do regime burguês no qual estamos inseridos e precisamos fazer esse combate, mesmo com a desvantagem que levamos. Mas ao nos prepararmos para uma disputa, isso não pode nos atrapalhar na organização de movimentos outros, pois mesmo que ocupemos alguns espaços dentro do sistema partidário atual, sabemos que daí nada, ou quase nada, sairá, mesmo com jovens sendo eleitos, independentemente de gênero. Muitos são cooptados facilmente e se deixam levar pelas benesses do poder.

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