O segundo turno das eleições é melancólico em Jundiaí

 Por Samuka Galiego 

O segundo turno das eleições em Jundiaí é lastimável. Com dois representantes vindos do atual governo que aprofunda o modelo de cidade-negócio e penhora o município aos interesses da especulação imobiliária, pouco se importando com desdobramentos sociais do processo: carestia de vida, devastação do meio ambiente e pouquíssimas políticas de interesse social. 

 
Nesse sentido, posicionamentos que expressam indiferença ou repúdio ao pleito de modo algum representam estar "em cima do muro", o termo é válido quando indica neutralidade diante de alternativas antagônicas e incompatíveis. Isto não está colocado no cenário jundiaiense, onde os candidatos eram parte do governo e manifestam condescendência com o atual estado de coisas: da ascensão da direita reacionária e privatista até a celebração da suposta "segunda melhor cidade pra se viver", título que encobre mazelas de uma cidade desigual, absurdamente cara e que lida com denúncias de desvios de recursos públicos. 
 
Compreendo aqueles que por tática política, necessidade ou esperança tentam identificar alguma possibilidade na alternância, fazer valer o título de eleitor é algo legítimo e louvável tanto quanto não perder de vista que ambos candidatos são plenos signatários do excludente modelo de cidade e sociedade que vigora no município. 
 
Em Jundiaí, o segundo turno das eleições é melancólico, na urna não haverá nada em termos de horizontes democráticos, projetos abrangentes e políticas sociais de alcance popular. Sequer o muro estará lá.  
 

Samuka Galiego é historiador e professor da rede pública estadual e privada 
 

Foto: Alexandre Martins  




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