Nossa mídia vai mal, muito mal!
É impressionante como nossa mídia, principalmente os denominados grandes veículos de comunicação, entre eles rádio, TV e portais de notícias, têm ido mal, mas muito mal! Durante essa semana, no início da campanha para segundo turno para prefeitura de São Paulo, a CBN realizaria um debate entre os dois postulantes ao cargo: Guilherme Boulos, do Psol, e Ricardo Nunes, do MDB, mas que nesse pleito eleitoral abraçou-se de uma maneira absurda à extrema direita.
Na hora do debate, para surpresa alguma de quem conhece um pouco sobre política partidária, o atual prefeito da capital e candidato à reeleição, inclusive lidera às pesquisas de intenção de voto, não compareceu. O pessoal da rádio achou por bem deixar a cadeira vazia e como o opositor, Boulos, estava presente, a emissora optou em fazer uma sabatina.
O que tinha tudo para ser um ponto positivo para CBN, acabou sendo escopo de muitas críticas, pois ao invés dos jornalistas aproveitarem o tempo para questionar o candidato sobre propostas, eles insistiram em perguntas do senso comum e que o próprio concorrente ao cargo sempre comenta em seus canais nas redes sociais.
Após os jornalistas insistirem tanto em perguntas que iam do nada para lugar nenhum, o próprio Boulos disse que agradecia o espaço, mas estava lá para ser entrevistado como candidato e não como comentarista político. As perguntas remetiam em mentiras que os concorrentes do psolista proliferaram aos montes durante a campanha de primeiro turno.
Quem acompanhou e tem o mínimo conhecimento sobre a mídia, notou que os quatro jornalistas, “indiretamente”, trabalharam em prol a campanha da extrema direita. Poucas informações podem ser utilizadas pelos ouvintes que acompanharam a entrevista para conhecer propostas. Mas ao acompanhar a patética sabatina, lembrei-me de meu saudoso amigo e grande jornalista Rubens de Souza, o Rubão, que sempre dizia: “jornalista não tem opinião, quem tem é o dono do jornal.”
Essa frase que me fez mudar a maneira como encarava a profissão, nunca foi tão atual quanto no decorrer dessa semana. Algo que precisamos acabar é com essa “historinha” de que a mídia é imparcial. Precisamos ter claro que toda mídia tem lado, mas as grandes defendem o neoliberalismo pois é nesse “capitalismo selvagem” que ela obtém seu “sagrado” lucro.
Precisamos debater sobre a mídia e seu papel de influenciadora dentro de nossa sociedade. Ter lado em um jogo faz parte, mas o que não tem cabimento é ficar travestida de imparcial. Penso que é muito mais fácil ter respeito por um órgão, ou jornalista, que assume sua posição, em detrimento de órgãos que tem posicionamento claro, mas não consegue assumir que seu lado não é o mesmo do que o da maior parte da população.
Assim como a cobertura das eleições está repleta de viés ideológico por parte da grande mídia, o massacre que o exército dos israelenses sionistas tem feito na Faixa de Gaza e agora também no sul do Líbano, segue pelo mesmo caminho, basta acompanhar como grande parte da mídia retrata o comportamento de Israel e como rebaixa a população libanesa e palestina.
Há alguns dias, o programa Encontro, apresentado pela jornalista Patrícia Poeta, na Rede Globo, apresentou uma das reportagens mais abjetas possíveis. Há mais de um ano Israel foi alvo de ataque terrorista e desde então eles matam indiscriminadamente mulheres e crianças palestinas, em nome de acabar com uma facção terrorista.
A reportagem apresentada no programa teve a audácia de entrevistar brasileiros que residem atualmente em Israel para falarem sobre a guerra. Primeiro, não há guerra. Segundo, os sionistas bombardeiam a esmo os países citados. Israel não sofreu nenhum ataque desde o início de outubro do ano passado. Então, devemos perguntar, como é possível que alguém fale sobre o medo em uma guerra quando se vive em um país que não é atacado?

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